quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Taí o texto sobre ALTERIDADE!

Demorei muuuuuuito!
mas taí.
O texto foi lido e conversado em sala e é muito bom.
Agora vocês podem comentar.
Beijos e té mais.


Alteridade (Frei Betto)

O que é alteridade? É ser capaz de apreender o outro na plenitude da sua dignidade, dos seus direitos e, sobretudo, da sua diferença. Quanto menos alteridade existe nas relações pessoais e sociais, mais conflitos ocorrem.

A nossa tendência é colonizar o outro, ou partir do princípio de que eu sei e ensino para ele. Ele não sabe. Eu sei melhor e sei mais do que ele. Toda a estrutura do ensino no Brasil, criticada pelo professor Paulo Freire, é fundada nessa concepção. O professor ensina e o aluno aprende. É evidente que nós sabemos algumas coisas e, aqueles que não foram à escola, sabem outras tantas, e graças a essa complementação vivemos em sociedade. Como disse um operário num curso de educação popular: "Sei que, como todo mundo, não sei muitas coisas".

Numa sociedade como a brasileira em que o apartheid é tão arraigado, predomina a concepção de que aqueles que fazem serviço braçal não sabem. No entanto, nós que fomos formados como anjos barrocos da Bahia e de Minas, que só têm cabeça e não têm corpo, não sabemos o que fazer das mãos. Passamos anos na escola, saímos com Ph.D., porém não sabemos cozinhar, costurar, trocar uma tomada ou um interruptor, identificar o defeito do automóvel... e nos consideramos eruditos. E o que é pior, não temos equilíbrio emocional para lidar com as relações de alteridade.

Daí por que, agora, substituíram o Q.I. para o Q.E., o Quociente Intelectual para o Quociente Emocional. Por quê? Porque as empresas estão constatando que há, entre seus altos funcionários, uns meninões infantilizados, que não conseguem lidar com o conflito, discutir com o colega de trabalho, receber uma advertência do chefe e, muito menos, fazer uma crítica ao chefe.

Bem, nem precisamos falar de empresa. Basta conferir na relação entre casais. Haja reações infantis...

Quem dera fosse levada à prática a idéia de, pelo menos a cada três meses, um setor da empresa fazer uma avaliação, dentro da metodologia de crítica e autocrítica. E que ninguém ficasse isento dessa avaliação. Como Jesus um dia fez, ao reunir um grupo dos doze e perguntou: "O que o povo pensa de mim?" E depois acrescentou: "E o que vocês pensam de mim?"

Quem, na cultura ocidental, melhor enfatizou a radical dignidade de cada ser humano, inclusive a sacralidade, foi Jesus. O sujeito pode ser paralítico, cego, imbecil, inútil, pecador, mas ele é templo vivo de Deus, é imagem e semelhança de Deus. Isso é uma herança da tradição hebraica. Todo ser humano, dentro da perspectiva judaica ou cristã, é dotado de dignidade pelo simples fato de ser vivo. Não só o ser humano, todo o Universo. Paulo, na Epístola aos Romanos, assinala: "Toda a Criação geme em dores de parto por sua redenção".

Dentro desse quadro, o desafio que se coloca para nós é como transformar essas cinco instituições pilares da sociedade em que vivemos: família, escola, Estado (o espaço do poder público, da administração pública), Igreja (os espaços religiosos) e trabalho. Como torná-los comunidades de resgate da cidadania e de exercício da alteridade democrática? O desafio é transformar essas instituições naquilo que elas deveriam ser sempre: comunidades. E comunidades de alteridade.

Aqui entra a perspectiva da generosidade. Só existe generosidade na medida em que percebo o outro como outro e a diferença do outro em relação a mim. Então sou capaz de entrar em relação com ele pela única via possível porque, se tirar essa via, caio no colonialismo, vou querer ser como ele ou que ele seja como sou - a via do amor, se quisermos usar uma expressão evangélica; a via do respeito, se quisermos usar uma expressão ética; a via do reconhecimento dos seus direitos, se quisermos usar uma expressão jurídica; a via do resgate do realce da sua dignidade como ser humano, se quisermos usar uma expressão moral. Ou seja, isso supõe a via mais curta da comunicação humana, que é o diálogo e a capacidade de entender o outro a partir da sua experiência de vida e da sua interioridade.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O Existencialismo é um Humanismo

E aí, queridos?
Segue um trecho do artigo "O Existencialismo é um Humanismo", originariamente uma conferência, cujo ano de publicação me fugiu no momento - não acho o livro...
Mais tarde retorno, ainda sobre Sartre.

A EXISTÊNCIA PRECEDE A ESSÊNCIA

"Quando concebemos um Deus criador, esse Deus identificamos quase sempre como um artífice superior; e qualquer que seja a doutrina que consideremos, trate-se duma doutrina como a de Descartes ou a de Leibniz, admitimos sempre que a vontade segue mais ou menos a inteligência ou pelo menos a acompanha, e que Deus, quando cria, sabe perfeitamente o que cria.
Assim, o conceito do homem, no espírito de Deus, é assimilável ao conceito de um corta-papel no espírito do industrial; e Deus produz o homem segundo técnicas e uma concepção, exatamente como o artífice fabrica um corta-papel segundo uma definição e uma técnica. Assim, o homem individual realiza um certo conceito que está na inteligência divina.
No século XVIII, para o ateísmo dos filósofos, suprime-se a noção de Deus, mas não a idéia de que a essência precede a existência. Tal idéia encontramo-la nós um pouco em todo o lado: encontramo-la em Diderot, em Voltaire e até mesmo num Kant. O homem possui uma natureza humana; esta natureza, que é o conceito humano, encontra-se em todos os homens, o que significa que cada homem é um exemplo particular de um conceito universal - o homem; para Kant resulta de universalidade que o homem da selva, o homem primitivo, como o burguês, estão adstritos à mesma definição e possuem as mesmas qualidades de base. Assim, pois, ainda aí, a essência do homem precede essa existência histórica que encontramos na natureza. (...)
O existencialismo ateu, que eu represento, é mais coerente. Declara ele que, se Deus não existe, há pelo menos um ser no qual a existência precede a essência, um ser que existe antes de poder ser definido por qualquer conceito, e que este ser é o homem ou, como diz Heidegger, a realidade humana.
Que significará aqui o dizer-se que a existência precede a essência? Significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define. O homem, tal como o concebe o existencialista, se não é definível, é porque primeiramente não é nada. Só depois será alguma coisa e tal como a si próprio se fizer. Assim, não há natureza humana, visto que não há Deus para a conceber.
O homem é, não apenas como ele se concebe, mas como ele quer que seja, como ele se concebe depois da existência, como ele se deseja após este impulso para a existência; o homem não é mais que o que ele faz. Tal é o primeiro princípio do existencialismo. É também a isso que se chama a subjetividade, e o que nos censuram sob este mesmo nome. Mas que queremos dizer nós com isso, senão que o homem tem uma dignidade maior do que uma pedra ou uma mesa? Porque o que nós queremos dizer é que o homem primeiro existe, ou seja, que o homem, antes de mais nada, é o que se lança para um futuro, e o que é consciente de se projetar no futuro. (...)
Mas se verdadeiramente a existência precede a essência, o homem é responsável por aquilo que é. Assim, o primeiro esforço do existencialismo é o de pôr todo homem no domínio do que ele é e de lhe atribuir a total responsabilidade da sua existência. E, quando dizemos que o homem é responsável por si próprio, não queremos dizer que o homem é responsável pela sua restrita individualidade, mas que é responsável por todos os homens."
Jean-Paul Sartre

Beijos,

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Tudo começa em Pizza!

E aí?
Quanto tempo hein?
Olhem só, queridos... Não que não haja filósofos italianos para acompanhar o menu da pizza de quinta-feira, mas... Que se enquadre no que conversamos, talvez não muitos.
Então, vai ser Itália com França. Na verdade o filósofo com pizza é o Sartre; Jean Paul Sartre.
Façam uma "minibio" (frescura para mini biografia) e busquem as principais idéias do existencialismo sartreano para conversarmos na quinta.
Beijos e boa pesquisa!

sábado, 24 de outubro de 2009

E então, qual o gosto do teu filósofo?

E aí, meus queridos?
Que gosto teu filósofo tem?
Quinta-feira temos culinária com filosofia e o cardápio tem que ser bom!
Olha só. São muitas as possibilidades dentro do que conversamos em sala de aula, mas... Seguem algumas dicas para pesquisa.
Pense bem: os pensadores que eu estou listando abaixo não são obrigatórios. São apenas possibilidades...
Segunda-feira conversaremos e então decidiremos qual o cardápio do nosso "almoço com filosofia".

Vamos lá.
Heráclito;
Sócrates;
Platão;
Aristóteles;
Santo Agostinho;
Espinosa;
Kant;
Marx;
Nietzsche;
Hannah Arendt;
Sartre;
Camus;
Foucaut;
Borges (Jorge, Luis; escritor)
Cornelius Castoriadis.

Lembro que os nomes acima são apenas possibilidades. Cabe a cada um de vocês encontrar o filósofo que quiser, pesquisá-lo e, a partir daí, falar do seu paladar.

Ps: nosso "almoço" de quinta-feira agradece.
Beijos saborosos,



quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Tarefa de Filosofia para o recesso forçado

Nossas aulas no terceiro bimestre giraram fundamentalmente ao redor das concepções éticas, abordando as visões aristotélica, estóica, hedonista e medieval sobre o tema.
Peço para quarta-feira, 21 de outubro, que vocês elaborem uma pequena pesquisa sobre o filósofo Baruch Espinosa, anotando os principais dados em caderno.
De posse da pesquisa e das anotações, procurem refletir sobre a seguinte questão: Por que a filosofia de Espinosa é considerada uma filosofia "alegre", ou fundamentada em uma "ética da alegria"?
Beijos e quaisquer dúvidas, comentem.

Atividade de Sociologia

Dentro do espírito do post sobre o vídeo, peço para sexta-feira, 23 de outubro que cada um de vocês:
Levantem o material necessário para a realização do documentário e pensem no que já possuem dele. Anotem no caderno.
Tragam anotado em caderno possíveis locais e pessoas onde e com as quais podemos fazer entrevistas (alunos e escolas).
Não pensem exatamente em perguntas, mas sim em temas importantes relacionados ao assunto central do documentário. Anotem em caderno.
É só neste momento.
Beijos,

Projeto de Sociologia

Nossa principal atividade, urgente atividade, neste 4º bimestre será a realização do documentário discutindo as possíveis visões e ações discriminatórias envolvidas nas relações "público x privado"; mais especificamente, entre as redes pública e privada de ensino. Possíveis rivalidades, visões em conflito, bem como caminhos de aproximação devem ser buscados.
Proponho que o vídeo seja pensado como formulação de hipóteses, cujo centro seria a seguinte indagação: há ou não há visões preconceituosas envolvidas nessas relações?
O resultado estaria, por assim dizer, em aberto. Ao menos no momento inicial do projeto. Isso, porque não seria afirmar "há visões preconceituosas", mas sim, "inventariar" se elas existem de fato.
O que vocês acham?

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Comentários e Postagens

Então...
Resolvi que nosso forum, ainda relacionado ao segundo bimestre, se manterá pelo mês de julho adentro. Ao menos na primeira quinzena.
Como isso parece ser possível, continuo aguardando as postagens de vocês. Aliás, assim mantemos contato.
Ps. Os comentários virão sobre os comentários de vocês.
Ps2. Vou publicar trechos de atividades de sala de aula que achei significativos.
Ps3. OS COMENTÁRIOS SÃO PARTE SIGNIFICATIVA DO PROCESSO DE AVALIAÇÃO E NA COMPOSIÇÃO DAS NOTAS (acho que peguei pesado, mas não custa lembrar, né...).
Beijão,